Título: Tartarugas até lá embaixo
Autor: John Green
Editora Intrínseca
Sinopse:
A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido - quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro - enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).Repleto de referência de vida do autro - entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o que fez John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e - por que não? - peculiares répteis neozelandeses.
A princípio, acredito que tenho que pedir desculpas a você, que veio até esse blog procurar uma opinião imparcial sobre este novo livro do John Green. Este é meu autor favorito dentre a infinidade de outros que li e ainda lerei. Não acredito que haja outro com tal dom, ninguém que escreva como ele, pelo menos não nesse século, mas estou pronta para ser surpreendida sempre.É claro que depois de você ler vários livros de um certo autor vai descobrir que inevitavelmente eles tem um molde. O do John Green é sempre um adolescente, geralmente com alguma barreira intransponível em sua vida e como essa pessoa - que tenta viver uma vida normal - lida com isso. Isso nunca foi um problema para mim, afinal somos bons em fazer certas coisas de certo modo e, como escritor, temos a possibilidade de escolher o que faremos e de que modo sem que ninguém possa impedir, apenas criticar bastante - e nosso Rick Riordan está aí para nos mostrar isso. Além disso, o molde pode até ser o mesmo, mas definitivamente não são as mesmas lições de vida.
Mas qual foi a minha opinião sobre "Tartarugas até lá embaixo", afinal? Galera, ele conseguiu de novo. Fez com que eu mergulhasse na história, amasse Aza Holmes e Davis Pickett de tal maneira que eu queria de fato conhecê-los. É difícil encontrar personagens que pulam da página como os do nosso John. Você se apaixona e chora por eles como se fossem seus amigos, às vezes até como se você fosse eles. O que para mim não é estranho já que na minha opinião todos tem um pouco da Aza dentro de si.Sobre a narrativa, amo a forma como o autor te dá uma história central que é a Aza lidando com o seu TOC e um leque de outras histórias, te faz querer saber o final de cada personagem envolvido na narrativa. Há também uma visão de perspectiva das personagens, a "heroína" é vista quase como vilã em um ponto de vista de uma forma inacreditável e revoltante ao mesmo tempo. É como se ele soltasse várias pontas na história e arrematasse todas elas de forma genial até o final da história.
As lições de vida não são nítidas quando falamos desse livro. É uma obra que exige bastante do seu cérebro com suas referências e frases de efeito - que se for postar todas no seu Facebook, vão ter mais de trinta (não que eu tenha feito isso). Ele nos lembra que não somos só um "eu", somos um bioma inteiro e o quanto a procura por um "eu" dentro de si pode ser árdua. Mostra-nos a realidade de uma pessoa que sofre com este problema com tanta propriedade - afinal agora sabemos que o próprio autor sofre com este problema - que qualquer um que leia este livro com certeza passará a respeitar e entender como é a vida dessa pessoa. A frase "é só frescura" que muitos usam para justificar os problemas psicológicos caem por terra na hora. Além de tudo, nos ensina mais sobre micróbios e parasitas do que eu honestamente gostaria de aprender.Recomendo a todos que gostam ocupar a mente com filosofia em histórias simples e devorar um livro instigante e altamente intelectual.
Nenhum comentário:
Postar um comentário