domingo, 31 de maio de 2020

Entrevista com autor #7 - Gabrielle M. F. Souza


Olá leitores e leitoras do blog Em minha mente! Hoje teremos entrevista com a maravilhosa Gabrielle, autora do romance pirata Blackwater, livro que já temos resenha aqui no blog (link: https://emminhamenteftcastro.blogspot.com/2020/04/resenha-15-blackwater.html). Prontos para conhecer mais uma mulher forte da nossa literatura brasileira?

Ficha do autor

Nome: Gabrielle M. F de Souza
Obras: Engavetadas? Várias; Publicadas? Duas hahaha Blackwater da Editora Pendragon e estou na antologia Tempo de Amar da CK Books
Descreva-se como se fosse um personagem: Vish... Ela esperava não ser a garota do coque frouxo que comprava um Starbucks correndo a caminho da aula.
E ela não era, ainda bem. Primeiro porque tinha cabelo curto, impossível para qualquer tipo de coque; segundo, não morava perto de nenhum Starbucks e, felizmente, já estava formada e não precisava correr a lugar nenhum.


Hábitos de escrita

[Fernanda]: Você tem alguma rotina de escrita ou você segue a sua inspiração?
[Gabrielle]: Tentei vários métodos já, desde anotar tudo num caderno e organizar tudo para seguir com a história, a simplesmente deixar rolar. Hoje em dia o que funciona “mais” – apesar de que não é cientificamente comprovado funcionar mesmo, porque ainda assim falha – é anotar pelo menos um parágrafo de cada personagem, a premissa e, caso decida estruturar capítulos, uma linha para cada capítulo com o que precisa acontecer basicamente. O resto descubro no caminho.

[Fernanda]: Isso ajuda bastante mesmo! Você escreve seus livros na ordem cronológica em que acontecem ou partes avulsas e junta no final?
[Gabrielle]: Cronológica na maior parte das vezes, apesar de que tenho um projeto que vai e volta na linha. Mas via de regra o primeiro, quando a linha do tempo vai e volta muitas vezes eu sinto que me atrapalha um pouco e, considerando que não organizo muito meus capítulos, isso seria um potencial risco de surto hahaha

[Fernanda]: Linhas do tempo complicadas, trabalho dobrado! Sei bem (risos).  Como você se sente ao terminar um livro?
[Gabrielle]: Muito bem! Ainda mais porque ou enrolo muito para continuar ou porque o final é
sempre o mais difícil de fazer as vezes. Então é meio que uma sensação de vitória mesmo (risos).

[Fernanda]: Você costuma fazer ficha para os seus personagens?
[Gabrielle]: Não, só o primeiro nome e um parágrafo sobre a origem. O resto eu descubro conforme escrevo e aí, se acho necessário (via de regra é, mas esqueço de fazer), acrescento no parágrafo sobre a origem. Tentei uma vez estruturar toda a vida dos personagens, incluindo árvore genealógica, e me senti “travada” na escrita

[Fernanda]: Às vezes organizar demais não ajuda mesmo! E algum autor ou obra que inspira sua escrita, você tem?
[Gabrielle]: Jane Austen AAAAAALL DAY EVERYDAY. Sarah J Maas e, agora nessa época que estou numa vibe oriente e histórias com deserto, Alwyn Hamilton de A Rebelde do Deserto.



Gabrielle e Blackwater

[Fernanda]: De onde veio a ideia para a temática do livro? Como ele surgiu?
[Gabrielle]: Sempre fui muito fã de pirataria e convenhamos, é difícil não gostar da saga Piratas do Caribe! Contudo na época eu tinha conhecido uma professora de redação do ensino médio que teve uma história de coração partido muito semelhante a de tias-avós minhas e a partir desses dois elementos surgiu a base da história. Pra mim, de certa forma, foi minha maneira de dar o feliz para sempre que acreditava que minhas tias, principalmente, gostariam de ter.

[Fernanda]: Que fofo! A primeira coisa que realmente, somos expostos ao ler seu livro é o poder das mulheres, principalmente da capitã. O que te levou a escrever sobre isso?
[Gabrielle]: Primeiro porque comecei no ensino médio, que foi quando realmente conheci o movimento feminista e comecei a ler sobre e me interessar mais. Segundo porque quando pensamos em piratas, a primeira imagem que vemos é de um homem barbudo e sujo, além de bêbado. Queria mudar essa imagem de alguma forma, ou pelo menos mostrar que existiram sim, mulheres em altos cargos da pirataria.

[Fernanda]: E fez isso de forma genial! Agora falando de Jacqueline Blackwater: Ela é um alter ego seu, você se inspirou em alguém ou ela puro fruto da sua imaginação?
[Gabrielle]: Então, todo escritor coloca um pouco de si na personagem, isso é inevitável creio eu. Algumas pessoas mais próximas que me conhecem e leram, acham que ela é bem parecida comigo, sim. Na época que escrevi, creio que sim, mas hoje vejo que evoluí muito em alguns pontos que talvez a Jacque teria dificuldade de ver (amém terapia, façam terapia gente, todo mundo precisa).

[Fernanda]: Também vejo algumas semelhanças (risos). E o Adrian? Conta para gente como ele surgiu.
[Gabrielle]: Essa é a parte “vergonha alheia de mim mesma”. Na época eu tinha um crush num rapaz de um curso que fazia de idiomas e resolvi inserir elementos dele no personagem. Obviamente o mesmo crush se provou um enorme erro, mas o personagem permaneceu e meio que se tornou aquilo que eu queria que tivesse sido se a pessoa fosse mais decente, talvez. Hoje eu ainda mudaria certas coisinhas no personagem, porque novamente sou outra mulher e outra escritora, mas c’est la vie! Até que eu gosto dele um pouco.

[Fernanda]:E  qual cena do seu livro foi a mais marcante para você?
[Gabrielle]: Duas especificamente: Quando ela descobre a verdade sobre o Adrian, sobre quem ele é. E a segunda, a carta do final. (Ah sim, e pensando agora, a cena da luta entre a Jacque e a mestre de armas.)

[Fernanda]: São realmente momentos de grande tensão no livro. Falando sobre emoção, algum momento durante a escrita fez algumas lágrimas suas caírem ou tudo de acordo com o plano?
[Gabrielle]: Eu sou uma pessoa difícil de chorar, especialmente lendo ou escrevendo (o segundo é pior ainda) 
(risos). Então tudo foi meio que de acordo com o plano! Quando escrevo existem cenas que me deixam para baixo e são mais difíceis de escrever, mas chorar dificilmente 
(risos).

[Fernanda]: Na sua opinião, qual é a principal mensagem do seu livro?
[Gabrielle]: Acho que principalmente foi o final feliz que queria para minhas tias, da maneira que imagino que elas gostariam. Mas, além disso, que mulheres podem e devem ocupar todos os espaços que desejam, seja de uma dama até a capitã.


Outras obras e planos futuros

[Fernanda]: O que podemos esperar de você neste mundo literário?
[Gabrielle]: Eu recentemente entrei numa antologia que logo mais sai na Amazon, então fiquem ligados nisso! Além disso, esse ano pretendo lançar pelo menos mais um livro, em ebook (no momento está muito caro para uma impressão independente, a menos que haja interesse), só não sei qual deles ainda 
(risos).

[Fernanda]: E fora deste mundo, quais são seus planos?
[Gabrielle]: Bom, para quem não sabe, estudo teatro há um ano quase e, ESPERO, logo mais ter esse tipo de conteúdo por aí também.

[Fernanda]: Sabemos que você faz a leitura de contos no seu Instagram. Algum dia teremos o prazer de ler algum conto seu?
[Gabrielle]: Eu li um conto meu de tema infantil lá chamado a “A Menina dos cabelos de flor” que fiquei bem feliz de ler inclusive (risos). Mas espero que sim em algum momento! Eu só não leio porque tenho o hábito de fazer contos no limite possível para ser categorizado como conto e aí pra ler, demoraria muito tempo e que eu tenho medo de ficar muito arrastado para as pessoas! 
(risos)

[Fernanda]: Pretende escrever algum livro de um gênero completamente diferente de romance?
[Gabrielle]: Sim! Hoje tenho alguns projetos de aventura e fantasia, sem foco no romance, alguns deles inclusive que quero lançar como ebook!

[Fernanda]: Para finalizar, deixe uma mensagem para os leitores e divulgue suas redes sociais:
[Gabrielle]: Oi, gente! Obrigada por quem leu até agora, de verdade <3 Espero que tenham gostado da entrevista! E obrigada a todos que conheceram meu livro e lhe deram uma chance, mesmo que não tenham gostado. Agradeço do fundo do coração pelo interesse e espero que não desistam de mim no futuro!

Caso você não me conheça ainda, mas queira (eu sou legal gente, juro), meu insta literário é esse aqui!
@literaria.mente
E tenho o face Vida de Escritora com uma amiga escritora muito querida! Por fim, caso queiram dar uma espiada no meu estilo de escrita, existem alguns manuscritos meus no wattpad, meu IG lá é @GabrielleMarques994

É isso! <3



domingo, 24 de maio de 2020

Resenha #16 - Fada


Olá leitores e leitoras do Blog Em minha mente, tudo bem com vocês? Hoje teremos resenha! (Uau, duas resenhas seguidas, Fernanda? Sim! Aproveitem esse marco, pois será difícil repetí-lo haha). Falarei um pouco sobre o livro FADA, da autora Marianna A. Araújo que vocês já conhecem bem, principalmente depois da live de sexta-feira que aconteceu no instagram (@fehtcastro, segue agora para não perder mais nenhuma). Mas, se você perdeu pode conferir a entrevista feita com a autora aqui no blog (link: https://emminhamenteftcastro.blogspot.com/2020/01/entrevista-com-autor-5-marianna-araujo.html) e conheça também o livro “As princesas de Caliestel” livro mais recente lançado pela autora e já resenhado no blog (link: https://emminhamenteftcastro.blogspot.com/2020/01/resenha-12-as-princesas-de-caliestel.html).

Sem mais delongas, vamos conhecer o “Fada”:


Título: Fada
Autora: Marianna Araújo
Editora: Ella


Sinopse:

A obra infanto-juvenil conta a história de seis garotinhas com personalidades únicas e diferentes que descobrem que tem poderes, ligados aos elementos. Elas foram presenteadas com esse dom no intuito de salvar o planeta Terra de alienígenas que querem destruí-lo. Quem é da época do Clube das Winxs, vai sentir na pele a nostalgia, pois a autora usou o desenho animado como inspiração.

O livro pode parecer curto a princípio e até faltar algumas informações, por isso é necessário que vocês saibam de alguns detalhes importantes:

Primeiras experiências
Esse foi um dos primeiros livros que a autora escreveu, ou seja, ela era bem pequena, entre seus 11 e 13 anos. Isso é incrível, pois  conseguimos conhecer e nos conectar com a Mari criança. Quantos autores nós temos a oportunidade de fazer isso? Podemos ver com ela pensava, como se via e só essa experiência já vale a leitura, principalmente se você já é fã desta autora.


Se originou de quadrinhos
Isso mesmo, esse livro foi escrito inicialmente em formato de quadrinhos. A autora realmente se esforçou para adaptá-lo em um livro, mas a ânsia de vê-los e a história em si da forma como é conduzida, nos faz querer que ela volte ao seu formato original. A vontade que temos de vê-las, com os balõezinhos e expressões engraçadas é uma coisa que senti durante toda a narrativa. Foi uma necessidade tão grande, que acabei até fazendo um crossover com os personagens do meu livro.


É uma história excelente, que captura tanto as crianças que já se interessam por uma boa fantasia quanto a criança que existe em cada uma de nós. É incrível como a Mari já se preocupava em detalhar cada coisinha na personalidade de seus personagens, nos fazer amar cada um deles e, também como já sabia fazer um bom suspense desde cedo. Queremos a sequência de Fada para ontem, pois o jeito que o livro termina consegue se fofo e cruel ao mesmo tempo.

Como o livro é bem curtinho, não tem como falar muito sobre ele sem dar spoiler, mas se quiserem saber um pouco mais sobre cada fadinha, a Mari fez alguns ótimos videos no Instagram dela comentando a personalidade de cada uma. E nada melhor do que ouvir da própria autora informações mais detalhadas sobre o livro, não é mesmo? Então caso queiram conhecer melhor as meninas, sigam ela: @mari_ujo. 


Baixe Fada:

domingo, 17 de maio de 2020

Resenha #15 - Caminho Longo

Olá leitores do blog Em minha mente! Como vão? Hoje é dia de resenha e pela primeira vez teremos um livro LGBT por aqui! Foi a minha primeira leitura do gênero e fico feliz por ter começado por Caminho Longo. Então vamos nessa?

Título: Caminho Longo
Autor: Vinícius Fernandes
Editora Pendragon


Sinopse:




A obra conta a trajetória de Bruno que traça a difícil caminhada que vive a tragédia de perder seu irmão que era seu pilar e aquele que o ajudava em sua autoaceitação.

A história é recheada de emoções. Esse livro é importante, não apenas para que os meninos que são como Bruno possam se enxergar no protagonista, mas para os que estão bem distante desta realidade. A empatia vai até certo ponto, mas quando pegamos um livro, onde é tão fácil emergir para dentro da história e para dentro do corpo de um personagem, o que é facilitada pela narrativa em primeira pessoa do livro, nós conseguimos nos colocar de verdade no lugar de alguém nesta situação.

E o autor se aproveita de forma excepcional desta posição para mostrar todas as possíveis situações que um menino gay pode passar. O tempo todo colocando a forma como as pessoas lidam com isso positiva ou negativamente. Sempre mostrando, que apesar da forma como as pessoas reagem, o quanto todos somos iguais independente da orientação sexual e como passamos pelas mesmas experiências no final das contas, com eles tendo o adicional do preconceito que só dificulta as coisas. Bruno sempre se questiona em como seria o mundo se o que ele é não fosse considerado errado por uma sociedade retrograda e é incrível a analogia que é feita por Mateus (irmão do protagonista) “com tijolos em uma parede e como não tem graça nenhuma ser igual a todo mundo”. Sem dúvida, ter alguém como este irmão na vida destes meninos faz toda a diferença na construção do caráter e para que se aceitem-se como são.  Por isso é tão importante que todos leiam livros como este, pois as pessoas em volta deles fazem uma mudança enorme e todos adorariam que as mudanças fossem apenas positivas e não trágicas.

Outra diferencial que vemos no livro de Vinícius é que ele vai além do tema recorrente de “sair do armário”. Como ele mesmo disse em uma live “Sair do armário faz parte da vida de um LGBT, mas a vida dele não se resume a isso”. Nós temos como exemplo o quanto sofreu pela perda do irmão, a amizade linda que desenvolve com Natália - a garota que namorava seu irmão antes dele morrer -, sua vida de escritor, tudo bem desenvolvido e que nos coloca ainda mais para dentro da rotina e nos aproxima ainda mais do personagem.

Um ponto que talvez possa ser melhorado da história: o autor me desafiou a não chorar com este drama e eu consegui concluir o desafio. Geralmente, eu sou uma manteiga derretida e choro com o menor dos estímulos e realmente o livro é cheio de cenas carregadas de cargas emocionais, mas depois de muito pensar a respeito, conclui que as cenas são muito rápidas. Quando a lágrima estava pronta para a descer havia uma quebra e já mudava para outra cena. Isso torna a história mais dinâmica e fácil de ler, mas não me deu tempo para me emocionar. Acredito que para as pessoas que passaram por tais situações tenham sido mais fácil de cair no choro por associação, mas os meus sentimentos fluíram junto com o livro, vivendo todas aquelas experiências pela primeira vez e nenhuma lágrima caiu.


Resumindo, esse não é um romance clichê, daqueles que o primeiro amor aparece, algo os separa e depois os dois voltam no final. Ele é superado como acontece no “mundo real”, o protagonista passa por uma gama de outras pessoas como todos nós passamos e a pergunta que sempre rodeava a minha cabeça era “Qual é a diferença entre eles e os héteros? E por que a sociedade não consegue enxergar isso?”. Durante a narrativa o garoto ama, é feito de trouxa, é traído, é feliz, entra em crise existencial, luta por seus relacionamentos, sofre... É incrível! E o final... Não poderia ser mais maravilhoso e encerra com chave de ouro. É um daqueles livros que deveriam ser obrigatórios no Ensino Médio e que tem o poder de promover o respeito e a empatia se as pessoas se abrirem para ele também. 

Se interessou? Compre o livro:

Livro físico:

E-book: 











Ver outras resenhas: 




segunda-feira, 11 de maio de 2020

Entrevista com autor #6 - Fernanda T. Castro

Olá, leitores do Blog Em minha mente! Dessa vez teremos uma entrevista diferente! A maravilhosa Joyce Galdino fez algumas perguntas sobre a trilogia Poder Ignorado a digníssima autora (vulgo, eu) e permitiu que eu a publicasse aqui no blog. Tenho certeza que vão curtir, pois revelo muitas curiosidades sobre os livros que não contém em outras entrevistas. Além de algumas revelações sobre o Fruto da Imaginação:

Ficha da autora

Nome: Fernanda T. Castro


Obras: Vida Adolescente (wattpad), Poder Ignorado e Nas Garras das Trevas


Se pudesse se dar um objetivo como autora seria: Criativa 


Descreva-se como se fosse um personagem: Fernanda era uma daquelas garotas que nunca passam despercebidas. Você pode identificá-las derrubando tudo o que está ao seu redor ou pisando no seu pé acidentalmente quando vai ter cumprimentar pela primeira vez. Pode parecer tímida em um primeiro momento, mas ao ganhar confiança, descobre que é uma tagarela profissional. É sempre honesta, mesmo que isso custe sua simpatia por ela e vai ser fiel enquanto confiar em você ou um nada a partir de seu primeiro vacilo.  



[Joy]: Como você soube que Poder Ignorado seria um livro e não uma história qualquer que acabaria em menos de quinze páginas?
[Fernanda]: Bom, as ideias vêm no meu cérebro sempre nesses momentos de banho (principalmente), lavando louça e tal. Uma combinação de ociosidade cerebral e água. Acho que sou o Percy (risos), mas quando eu comecei a colocar para fora que a história se definiu como algo que não seria uma história de quinze páginas. Eu tenho muito fresco em minha memória o dia que fui tomar o café com o Lucas (amigo que inspirou o personagem Daniel) e contei a história para ele. Nesse dia, ele me lembrou que eu não tinha um vilão para a história. Acho que foi sempre o Daniel que tornou a trilogia instigante como é. O que me fez dar outro final para ele, bem diferente do que eu tinha planejado e fez a história chegar até aqui.

[Joy]: Então sem o Daniel, talvez o livro realmente virasse uma história de quinze páginas? Ele é o coração da Saga Poder Ignorado apesar da Lena narrar boa parte da história publicada?
[Fernanda]: Eu acho que o livro podia seguir normalmente sem a Lena, mas sem o Daniel e, detesto admitir, sem o Jhonatam, eu teria desistido da história como aconteceu com tantas outras tentativas entre o Vida Adolescente e o Poder Ignorado. Afinal, tudo começou com a decepção de um amor não correspondido que eu tive por ele.

[Joy]: Em que ponto você soube que seriam três livros?
[Fernanda]: Eu sempre soube que seria mais de um, mas eu só decidi com firmeza que seriam três entre a escrita do meio para o fim do Nas Garras das Trevas, porque ali eu já sabia qual seria o final da trilogia. Percebi que apesar da Lena ser dispensável na narrativa, os livros meio que acompanham a vida dela e acabam... Bem... Sem spoilers!

[Joy]: Ok, sem spoilers. Sobre o processo criativo: existe mesmo aquela coisa de “os personagens falam comigo e contam seus próximos passos” ou isso é uma tentativa de se mostrar humilde e passar para os personagens o seu mérito em escrever tudo?
[Fernanda]: Definitivamente existe! Se eu fosse a Lena, não teria feito nada do que ela fez. Sério! E olha que ela é meu alterego! Aquela cena no primeiro livro em que ela termina com o Daniel e vai salvar o Jhonatam, eu escrevi chorando porque me apaixonei por Daniel e não queria que eles que se separassem. A Lena também estava apaixonada por ele, mas não no meu nível, eu acho (risos). Eu acabei vendo-o em outra perspectiva no decorrer da narrativa e... Só sei que acabei o livro com um sentimento de “isso não pode ficar assim” e aí mudei toda a história que estava planejando para o Nas Garras das Trevas (que eu sempre soube o nome e ele se encaixou mais ainda para a história nova do que para a que estava planejando antes).

[Joy]: Sobre os personagens secundários de Nas Garras das Trevas: nós já conversamos anteriormente e você disse que eles não eram para ser tão importantes a ponto do público querer ver mais deles, porém Bia, Stevie , e até o imbecil do Thiago (mexeram demais conosco - leitores e sim me coloco no meio). Minha pergunta é, você pretende contar um pouco mais sobre e dar um final para eles também em Fruto da Imaginação, ou você acha que isso pode fugir um pouco da trama principal?
[Fernanda]: Eu darei um final para todos eles, confesso que ainda não tinha pensado no do Thiago ainda, mas só de mencionar ele a minha mente já começa a virar um turbilhão de ideias, mas não tenho espaço para falar muito sobre eles porque eu percebi que os principais estão consumindo muito do livro. Muita coisa precisa ser feita na vida deles.

[Joy]: Uma coisa que eu senti falta nos livros foi um aprofundamento na relação entre a Lena e a mãe. Apesar da Lena morar a vida toda com a mãe, eu senti falta de uma relação mais próxima das duas. Você chegou a pensar sobre isso ou nunca foi realmente um problema?
Joy e Fernanda no lançamento
do Nas Garras das Trevas
[Fernanda]: Bom, apesar da Lena morar com a mãe, elas duas nunca se entenderam muito bem. A Dona Aline é uma mulher muito pé no chão que não quer nem saber dessa história de Reino de Luz até que precisa lidar com isso dentro da própria casa. Eu acho normal que ela não apareça muito na história porque ela é contada na perspectiva da Lena. Eu ainda vou frisar isso no Fruto da Imaginação, mas a Lena é mais próxima do pai por terem a mesma visão de vida. Já a Lia é mais próxima da mãe pelos mesmos motivos... Mas voltando a relação da Lena e Dona Aline, eu vejo que as duas se arranharam, não se entendem, mas quando a Lena está sem chão e não sabe o que fazer é pela mãe que ela grita. A mãe consegue ordenar os pensamentos e sentimentos dela por ser mais fria e calculista. E sim, essa relação é baseada em fatos reais (risos).

[Joy]: Agora tudo faz sentido! (risos) Eu quero entender um pouco mais sobre como surgem as ideias na sua cabeça, então quem foi que chegou primeiro na sua mente dizendo “conta a minha história, por favor”?

[Fernanda]: Acho que o que veio primeiro não foi um personagem em si, mas foi um pensamento: “Como o mundo seria se acontecesse exatamente como eu imagino?” E é por isso que o nome a princípio seria “Em minha mente” e daí surgiram os amigos imaginários, os medos e talvez por isso o mundo pareça tão pequeno no primeiro livro, porque ele teve origem da cabeça de uma pessoa e depois se expandiu, abrigando os amigos imaginários e medos das outras pessoas do mundo.

[Joy]: Muito obrigada por me deixar conhecer um pouco mais sobre o seu processo criativo. Foi muito esclarecedor e com certeza me fez amar ainda mais essa história linda.
[Fernanda] Eu que agradeço pela honra! 

Gostou? Conheça os livros:










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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Personagens do Poder Ignorado que lembram os da Disney

    

     Olá leitores do blog Em minha mente! Como vão vocês? Enclausurados? Vocês votaram e hoje o post é sobre os personagens do Poder Ignorado e suas semelhanças com os que conhecemos e amamos da Disney! 

Para quem ainda não conhece a história destas obras, ela sobre uma menina chamada Lena que recebe um bilhete para entrar em um mundo onde tudo é influenciado pela mente humana. Onde os amigos imaginários vivem e os medos se transformam em monstros para serem literalmente enfrentados. Enquanto ela está lá, vivendo suas aventuras e caindo no charme do seu lindíssimo amigo imaginário Daniel, sua paixão da vida real, Jhonatam a procura no mundo real, seguindo suas pistas e ficando cada vez mais confuso com as coisas que encontra.

        Estas são as minhas comparações e como eu os enxergo, mas adoraria conhecer a visão de vocês, se concordam ou escolheriam outro no lugar. Então vamos de comparação?


Bela e Lena 

     As duas são parecidas em muitas coisas. Elas são curiosas, leitoras vorazes e querem mais do que a vida pacata que levam. São personagens fortes que conseguem enxergar além da aparência e ver a essência das pessoas. Claro que a Bela tem essa sensibilidade muito mais apurada que a Lena que acabou não enxergando a personalidade de alguns personagens que cruzaram seu caminho, o que ajudou de certa forma o desenvolvimento dela.   


Daniel e Peter Pan


     Pense em um personagem apaixonante que aparece na sua casa para ouvir suas histórias e pode te levar para um mundo mágico cheio de aventuras. Pensou no Peter Pan? Eu estava falando do Daniel! Os dois tem muitas coisas em comum, apesar de Daniel não ter problemas em crescer para acompanhar sua criadora. Apesar disso, ambos tem aquele envolvimento complicado com a sua "contadora de histórias" favorita, um romance de tirar o fôlego e que nos faz sofrer consideravelmente. 

Jhon e Hans

     É muito difícil encontrar um personagem igual o Jhon entre os da Disney, mas o que melhor se enquadra é o Hans pela quebra de expectativas. Todos esperavam algo dos dois e eles surpreenderam agindo de maneira egocêntrica, decepcionando os corações que conseguiram conquistar. A diferença entre eles é que podemos ver um Jhonatam arrependido e tentando correr atrás do prejuízo mesmo sendo tarde demais, enquanto não podemos ver isso em Hans, pelo menos não no filme. E como Frozen 2 não o trouxe de volta para a história, não temos como saber os sentimentos do personagem após os acontecimentos.

Lia e Merida


     Personalidade indomável, durona e dizer ser dona do próprio destino podem ser algumas de suas características em comum. As duas também percebem como a vida pode virar de cabeça para baixo e mostram que ainda ali conseguem fazer as coisas acontecerem. Fortes e capazes de quebrar paradigmas, com suas opiniões bem formadas, também estão em uma jornada para salvar seus pais (Lia salvando o pai e Merida salvando a mãe). Não consigo pensar em nenhuma diferença que não seja física entre as duas! Talvez Merida ter arco e flecha como arma e Lia ter seu lápis e papéis mágicos? Apostamos que se Lia fosse inspirada em Merida não seria tão parecida!


    Gostaram da comparação? O que acham de uma parte dois com os personagens secundários? Comentem!
      
       Não conhecem os livros da trilogia Poder Ignorado? Nunca é tarde para conhecer:






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