Sejam bem-vindos a primeira entrevista com autor no blog Em minha mente! Fico muito feliz que comece com esse carinha que já sou fã declarada: Julius Vieira, autor de um dos meus livros favoritos da Pendragon, o "Três desejos" (Que já temos resenha do livro para quem ainda não viu: https://emminhamenteftcastro.blogspot.com/2019/08/tres-desejos-resenha-5.html). Aposto que quem ainda não conhece o trabalho do autor, vai querer conhecer após essa entrevista incrível. Divirtam-se!
Ficha
do autor
Idade: 22
anos
Obras: Três
Desejos, Em Algum Lugar Dentro de Mim, Conto “Mal me quer” na antologia
“Enquanto as luzes não se apagam” e alguns contos disponibilizados no Wattpad
(links no final da entrevista).
[Fernanda] Descreva-se como se fosse um personagem:
[Julius Vieira] Julius podia
parecer, em um primeiro momento, uma pessoa tímida, mas isso era um engano. A
questão é que ele sempre precisava de um tempo para se soltar em qualquer
ambiente. Sem conseguir enxergar um palmo a sua frente sem seus óculos, seus amigos
sempre o associavam com piadas e trocadilhos ruins, mas ele nunca entendeu esse
fato muito bem, já que acha seu senso de humor impecável. Em uma roda de
conversa, é muito provável que em algum momento ele comece a viajar pelos
universos que habitam em sua cabeça, até alguém trazê-lo outra vez para a
realidade, mas ele sempre tenta fugir dela outra vez quando começa a criar suas
histórias.
[Fernanda] Se pudesse se dar um
adjetivo como autor, seria:
[Julius Vieira] Detalhista. Só
que não em um sentido de ser bastante descritivo, mas em um sentido de pensar
em pequenas conexões de significados dentro das histórias, que talvez passem
despercebido. Nem sempre é algo complexo ou mirabolante, mas eu gosto de fazer
algumas sugestões espalhadas pelos livros e as associações ficam por conta dos
leitores.
Hábitos
de escrita
[Fernanda] Você tem alguma rotina
de escrita ou você segue a sua inspiração?
[Julius Vieira] Uma coisa é fato: eu sempre estou com vontade
de escrever e tenho ideias o tempo todo. Não sou muito de anotar não, tudo vai
se abarrotando dentro da minha cabeça. Entretanto, no momento, eu não tenho uma
rotina fixa de escrita devido aos estudos e trabalho. Escrevo quando e o quanto
dá, mas sempre estou escrevendo, nem que seja um poema ou conto.
[Fernanda] Você escreve seus
livros na ordem cronológica em que acontecem ou partes avulsas e junta no
final?
[Julius Vieira] Por mais que
os acontecimentos não sejam cronológicos, eu escrevo na ordem em que aparecem
no livro. O que às vezes é uma tortura, já que tem cenas que eu planejo e fico
ansioso para escrevê-las e isso, na maioria das vezes, demora. Isso é porque,
para mim, as cenas seguintes costumam ser construídas muito a partir do que já
ocorreu na história e se eu escrever fora de ordem eu sinto que a cadência da
escrita não fique tão boa.
[Fernanda] Como você se sente ao
terminar um livro?
[Julius Vieira] A sensação é
de alivio e de dever cumprido. O cérebro
parece uma gaveta que acabou de ser esvaziada e limpa, pronto para se encher
outra vez com ideias.
[Fernanda] Você costuma fazer
ficha para o seus personagens?
[Julius Vieira] Eu já tentei
ser um escritor organizado, mas é difícil hahaha. Normalmente, tudo fica na
minha cabeça, salvo alguns roteiros mais gerais que uso na concepção do enredo.
É bem caótico.
[Fernanda] De qual trabalho você
tem mais orgulho?
[Julius Vieira] Essa é uma
pergunta bem difícil. Três Desejos foi escrito sem muita pretensão, era um
hobby e eu até disponibilizava os capítulos na internet. Depois de terminar,
escrevi muitos contos, fracassei em muitas histórias e quando comecei meu livro
mais recente, o “Em algum lugar dentro de mim”, eu já tinha maturidade maior e
o processo foi mais consciente. Eu não diria que tenho mais orgulho de uma obra
ou de outra, mas do percurso e a evolução que sinto ter entre elas.
[Fernanda] Você tem algum autor
ou obra que inspira sua escrita?
[Julius Vieira] A minha primeira
inspiração foi o Rick Riordan, autor de Percy Jackson e os olimpianos. Ao
terminar de ler essa saga eu sentia uma vontade incontrolável de fazer as
pessoas sentirem o mesmo que eu sentia lendo aqueles livros. Ainda hoje, me
inspiro muito nas tiradas sarcásticas que o Rick adora colocar nos livros, mas
sofri influência de vários outros autores depois disso, como os autores
brasileiros Leonel Caldela e o Mauricio Gomyde, sendo esse último o autor de um
dos meus livros favoritos o livro “Surpreendente! ” e que o estilo é
uma das inspirações para o “Em algum lugar dentro de mim”.
Julius
e o Três Desejos
[Fernanda] De onde veio a ideia
para a temática do livro? Como ele surgiu?
[Julius Vieira] É engraçado dizer,
mas Três Desejos veio de uma frustração. Na época, eu tentei escrever uma
história de fantasia que era uma mistura de tudo o que eu já tinha consumido de
narrativas, cheio de obviedades e situações que estavam muito mais que batidas.
E lá pelo capítulo cinco dessa história, eu descartei tudo. Minha primeira
frustração como escritor. Foi aí que eu abri uma página em branco no computador
disposto a criar algo que parecesse novo. Era uma época que estava ocorrendo
muitas releituras de contos de fadas e então eu comecei a pensar nos contos que
eu nunca tinha visto nenhuma dessas novas versões. Eu tinha assistido Aladdin
alguns dias antes e a figura daquele gênio explodiu em minha mente na sua
fumaça azul. Nesse mesmo dia, eu escrevi uma breve sinopse do que viria ser a
primeira versão de Três Desejos, partindo do pressuposto que todo mundo pediria
desejos infinitos caso encontrasse um gênio da lâmpada.
[Fernanda] Como
você decide o nome dos seus personagens? Com nomes peculiares como Askhar e
Bririon, você inventa ou pesquisa em algum lugar?
[Julius
Vieira] Nomes sempre vem bem naturalmente para mim. Com nomes mais exóticos, eu
misturo palavras, inverto sílabas e por aí vai, não costumo fazer muita
pesquisa, é mais um exercício de criatividade. Nos dois casos mencionados dos
personagens de Três Desejos, a intenção era causar certa estranheza, então
optei por uma estética com muitas letras e uma sonoridade marcada.
[Fernanda] Uma
das coisas que me intrigou na sua obra, foi a frieza que Askhar tinha a
princípio com os pais. Poderia nos dar uma informação extraoficial de como a
relação com eles chegou a tal ponto?
[Julius
Vieira] Muito da personalidade do Askhar é algo que poderíamos dizer que é da
índole dele, mas como vemos na história, o Askhar foi por um período crítico de
sua formação de caráter, filho único. A partir do momento da chegada de seu
irmão, ele começa a se sentir traído por seus pais por se adaptarem ao novo
contexto. É uma mistura de egocentrismo e ressentimento, que se contrapõe ao
carinho e amor que ele também carrega por sua família.
[Fernanda] No
livro percebemos que você criou uma nova versão de pós-vida. Você se inspirou
em alguma já existente ou criou tudo na hora?
[Julius
Vieira] Essa foi uma parte divertida da escrita. É como o Askhar pensa quando
encontra Trexis pela primeira vez: Eu queria inventar um jeito de conciliar o
criacionismo e a teoria da evolução numa espécie de “e se”. Então, o melhor
jeito foi dizer: “Olha, vocês entenderam tudo errado”. Esse pós-vida vem dessa
coisa de mostrar como “realmente é.” Além da sua estrutura também dialogar com
a mensagem que considero ser a principal do livro.
[Fernanda] Na
sua opinião, qual é a principal mensagem do seu livro?
[Julius
Vieira] Eu diria que são mensagens correlacionadas: Pense bem nas suas escolhas
antes de toma-las para não gastar um tempo valioso se arrependendo delas. Se
tiver oportunidade de corrigir algum erro, corrija da melhor forma possível. E,
para seguir a temática de três, Ame quem você ama agora e não depois.
[Fernanda] Descreva
o final do seu livro com uma palavra.
[Julius
Vieira] Eu acho que “inesperado” seria a palavra ideal.
[Fernanda] O
Julius de hoje mudaria o final de algum personagem, ou está plenamente
satisfeito com o desfecho de sua história.
[Julius
Vieira] Eu com certeza não mudaria finais, mas acho que alteraria bastante
coisa nos capítulos iniciais do livro, na forma como as coisas vão sendo
apresentadas.
Outras obras e planos futuros
[Fernanda] Fale
um pouco do seu conto na antologia “Enquanto as luzes se apagam”.
[Julius
Vieira] A proposta da antologia é falar desses problemas tão comuns que
encontramos hoje, que são esses transtornos psicológicos, como a depressão, a
ansiedade entre outros, explorados em contextos fantásticos para trazer esses
temas para debate. O meu conto se chama “Mal me quer” e ele é narrado pelo
ponto de vista de uma flor. Nesse conto, eu não quis especificar em um desses transtornos,
mas discutir que tipo de situações que nos submetemos que podem fomentar o
surgimento desse tipo de problema.
[Fernanda] Sabemos
também que você tem um livro em pré-venda chamado “Em algum lugar dentro de
mim”. O que podemos esperar dele?
[Julius
Vieira] Acho que ao contrário de Três Desejos, que temos muita ação e aventura,
nesse o ritmo é um pouco mais tranquilo, uma leitura mais intimista. Félix é um
personagem completamente diferente do Askhar e que tem dilemas muito mais
internos que externos, como o título já diz, é uma viagem introspectiva para os
pensamentos mais íntimos do nosso protagonista. É uma história que tem a
intenção de arrancar algumas lágrimas e sorrisos. Entretanto, há também
semelhanças, o tema sobre a importância de valorizar as pessoas que estão ao
nosso redor retornam em uma outra perspectiva.
[Fernanda] O
que podemos esperar de você neste mundo literário?
[Julius
Vieira] Eu pretendo continuar escrevendo e eu espero que as pessoas continuem
lendo, hahaha. A intenção é sempre estar com novidades para os leitores.
[Fernanda] Pretende
escrever algum livro de um gênero completamente diferente de fantasia
[Julius
Vieira] Sim e já está em prática. “Em algum lugar dentro de mim” é muito mais
um drama pessoal do personagem que uma fantasia. Apesar de ter um elemento
“irreal”, esse elemento é mais um simbolismo que uma coisa fantástica. Fora
isso, tenho pronto na gaveta o primeiro livro de uma duologia distópica, que
ainda não tem previsão de lançamento e agora estou nos capítulos iniciais do
que acho ser minha história mais madura até agora. Pretendo falar de alguns
problemas sociais que acho que precisam ser retratados. Ainda é um projeto que
está no início, mas estou bastante empolgado.
[Fernanda] Para
finalizar, deixe uma mensagem para os leitores:
[Julius] Primeiramente,
agradeço a Fê por ter me convidado para essa entrevista tão legal e os leitores
que acompanharam as respostas até aqui. Deixo também o convite para conhecerem
meus livros, e até mesmo os contos que estão gratuitamente no Wattpad. Me sigam
nas redes sociais: @1criadordehistorias no Instagram, Facebook e Wattpad, é lá
que sempre divulgo as novidades. Até a próxima, galera!
Livro Três Desejos:
Livro “Em algum lugar dentro
de mim”
Links dos contos (lembrando que são GRATUITOS):
Onze horas:
Primeiro contato:
Não faça silêncio:
O álbum de um ceifador:
A fogueira está no sangue:
A água que ta no céu:
Autorretrato:



Adorei a entrevista, parabéns.
ResponderExcluirObrigada ❤️ tentei deixá-la a altura de um autor tão bom. Fico feliz que tenha gostado!
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