sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Resenha #7 - Para onde vão os suicidas?




Título: Para onde vão os suicidas?
Autor: Felipe Saraiça
Editora: Pendragon

Sinopse:
 "Era dezembro quando Angelina nasceu. Uma noite gélida, de ventos fortes e relâmpagos que iluminavam todo o quarto do hospital. Quase que em silêncio, ela foi retirada do ventre de sua mãe que, também em silêncio, não mais respirava. A enfermeira, tão jovem e sonhadora, não sabia como lidar com vida e morte lado a lado. Seu pai, de modo mecânico e robótico, a balançava, não conseguindo contemplá-la. Seus olhos não mudaram de direção nem mesmo quando a menina iniciou seu pranto. Lá fora, a chuva caía forte, embaçando os vidros das janelas, e pintando todo o céu de cinza. Ele não chorava, apenas embalava lentamente sua filha, num ritmo quase que fúnebre, enquanto perguntava a si mesmo se seria egoísmo preferir que a criança tivesse perdido a vida e não sua noiva."

  
  Minha leitura e resenha calharam majestosamente no nosso Setembro Amarelo. Finalzinho dele, mas não existe melhor jeito de comentar sobre o suicídio do que citando esse livro incrível. A obra conta a história de Angelina, que ao tentar cometer um suicídio acaba se encontrando com a Deusa da Morte Ixtab, que diz que encontrará a morte se conseguir evitar outros suicídios. Sem muita opção, acaba aceitando e parte em uma grande jornada de aprendizado que é literalmente uma corrida contra a própria Morte.

 Felipe Saraiça consegue discutir o assunto de forma leve, porém com significados profundos. Consigo identificar por seus outros livros Palavras de rua - que conta a visão de um morador de rua sobre a vida e já virou até filme - e Descolorindo Eloáh -  o qual temos uma palinha em Para onde vão os suicidas?- que o autor escreve sobre temas polêmicos que nós deixamos passar no nosso dia-a-dia. O objetivo dele não é te distrair ou te fazer fugir da realidade, pelo contrário, ele te faz enxergar a realidade como você nunca viu. Sua literatura tem o objetivo principal de incomodar. Então se procura algo para fugir do mundo em que vive, sugiro que escolha outras obras.

     Seus personagens suicidas são profundos de uma forma inesperada. Você conhece bem mais da vida deles do que jamais conhecerá Angelina, a personagem principal. E o que mais gostei é que eles não seguem um padrão. Nós temos adultos, adolescentes e até idosos com esse desejo de encontrar a morte. Nunca tinha me passado pela cabeça um idoso com vontade de cometer um suicídio, já passou pela de vocês? Achei todos os motivos para os suicídios plausíveis e é impossível não se emocionar com a história de cada um deles.

    Porém, como ponto negativo da narrativa, os "salvamentos" fracos. Não consegui compreender como as ações de Angelina conseguiram mudar decisões tão fixas nas cabeças das pessoas. Talvez seja essa a mensagem de Felipe, que ações simples podem mudar atos gigantescos, mas confesso que alguns eu não engoli. Eloáh, por exemplo, é um. A vida deste personagem era pesada demais para que tudo se resolvesse em uma conversa no banheiro. Espero que tenha a resposta que procuro em sua mais recente obra "Descolorindo Eloáh". Os cenários são bem descritos, mas não os considero necessários, pois nosso foco está 100% nas questões emocionais trabalhadas na narrativa.

      Recomendo a todos que gostam de uma fantasia misturada com realidade que gostam de uma narrativa cheia de lições de vida.
      
        Onde encontrar os livros:


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