terça-feira, 24 de setembro de 2019

Entrevista com o autor #1 - Julius Vieira


   Sejam bem-vindos a primeira entrevista com autor no blog Em minha mente! Fico muito feliz que comece com esse carinha que já sou fã declarada: Julius Vieira, autor de um dos meus livros favoritos da Pendragon, o  "Três desejos" (Que já temos resenha do livro para quem ainda não viu: https://emminhamenteftcastro.blogspot.com/2019/08/tres-desejos-resenha-5.html). Aposto que quem ainda não conhece o trabalho do autor, vai querer conhecer após essa entrevista incrível. Divirtam-se! 
Ficha do autor

Nome: Julius Vieira
Idade: 22 anos
Obras: Três Desejos, Em Algum Lugar Dentro de Mim, Conto “Mal me quer” na antologia “Enquanto as luzes não se apagam” e alguns contos disponibilizados no Wattpad (links no final da entrevista).

[Fernanda] Descreva-se como se fosse um personagem:
[Julius Vieira] Julius podia parecer, em um primeiro momento, uma pessoa tímida, mas isso era um engano. A questão é que ele sempre precisava de um tempo para se soltar em qualquer ambiente. Sem conseguir enxergar um palmo a sua frente sem seus óculos, seus amigos sempre o associavam com piadas e trocadilhos ruins, mas ele nunca entendeu esse fato muito bem, já que acha seu senso de humor impecável. Em uma roda de conversa, é muito provável que em algum momento ele comece a viajar pelos universos que habitam em sua cabeça, até alguém trazê-lo outra vez para a realidade, mas ele sempre tenta fugir dela outra vez quando começa a criar suas histórias.

[Fernanda] Se pudesse se dar um adjetivo como autor, seria:
[Julius Vieira] Detalhista. Só que não em um sentido de ser bastante descritivo, mas em um sentido de pensar em pequenas conexões de significados dentro das histórias, que talvez passem despercebido. Nem sempre é algo complexo ou mirabolante, mas eu gosto de fazer algumas sugestões espalhadas pelos livros e as associações ficam por conta dos leitores.

Hábitos de escrita

[Fernanda] Você tem alguma rotina de escrita ou você segue a sua inspiração?
[Julius Vieira] Uma coisa é fato: eu sempre estou com vontade de escrever e tenho ideias o tempo todo. Não sou muito de anotar não, tudo vai se abarrotando dentro da minha cabeça. Entretanto, no momento, eu não tenho uma rotina fixa de escrita devido aos estudos e trabalho. Escrevo quando e o quanto dá, mas sempre estou escrevendo, nem que seja um poema ou conto.

[Fernanda] Você escreve seus livros na ordem cronológica em que acontecem ou partes avulsas e junta no final?
[Julius Vieira] Por mais que os acontecimentos não sejam cronológicos, eu escrevo na ordem em que aparecem no livro. O que às vezes é uma tortura, já que tem cenas que eu planejo e fico ansioso para escrevê-las e isso, na maioria das vezes, demora. Isso é porque, para mim, as cenas seguintes costumam ser construídas muito a partir do que já ocorreu na história e se eu escrever fora de ordem eu sinto que a cadência da escrita não fique tão boa.

[Fernanda] Como você se sente ao terminar um livro?
[Julius Vieira] A sensação é de alivio e de dever cumprido.  O cérebro parece uma gaveta que acabou de ser esvaziada e limpa, pronto para se encher outra vez com ideias.

[Fernanda] Você costuma fazer ficha para o seus personagens?
[Julius Vieira] Eu já tentei ser um escritor organizado, mas é difícil hahaha. Normalmente, tudo fica na minha cabeça, salvo alguns roteiros mais gerais que uso na concepção do enredo. É bem caótico.

[Fernanda] De qual trabalho você tem mais orgulho?
[Julius Vieira] Essa é uma pergunta bem difícil. Três Desejos foi escrito sem muita pretensão, era um hobby e eu até disponibilizava os capítulos na internet. Depois de terminar, escrevi muitos contos, fracassei em muitas histórias e quando comecei meu livro mais recente, o “Em algum lugar dentro de mim”, eu já tinha maturidade maior e o processo foi mais consciente. Eu não diria que tenho mais orgulho de uma obra ou de outra, mas do percurso e a evolução que sinto ter entre elas.

[Fernanda] Você tem algum autor ou obra que inspira sua escrita?
[Julius Vieira] A minha primeira inspiração foi o Rick Riordan, autor de Percy Jackson e os olimpianos. Ao terminar de ler essa saga eu sentia uma vontade incontrolável de fazer as pessoas sentirem o mesmo que eu sentia lendo aqueles livros. Ainda hoje, me inspiro muito nas tiradas sarcásticas que o Rick adora colocar nos livros, mas sofri influência de vários outros autores depois disso, como os autores brasileiros Leonel Caldela e o Mauricio Gomyde, sendo esse último o autor de um dos meus livros favoritos o livro “Surpreendente! ” e que o estilo é uma das inspirações para o “Em algum lugar dentro de mim”.

Julius e o Três Desejos

[Fernanda] De onde veio a ideia para a temática do livro? Como ele surgiu?
[Julius Vieira] É engraçado dizer, mas Três Desejos veio de uma frustração. Na época, eu tentei escrever uma história de fantasia que era uma mistura de tudo o que eu já tinha consumido de narrativas, cheio de obviedades e situações que estavam muito mais que batidas. E lá pelo capítulo cinco dessa história, eu descartei tudo. Minha primeira frustração como escritor. Foi aí que eu abri uma página em branco no computador disposto a criar algo que parecesse novo. Era uma época que estava ocorrendo muitas releituras de contos de fadas e então eu comecei a pensar nos contos que eu nunca tinha visto nenhuma dessas novas versões. Eu tinha assistido Aladdin alguns dias antes e a figura daquele gênio explodiu em minha mente na sua fumaça azul. Nesse mesmo dia, eu escrevi uma breve sinopse do que viria ser a primeira versão de Três Desejos, partindo do pressuposto que todo mundo pediria desejos infinitos caso encontrasse um gênio da lâmpada.


[Fernanda] Como você decide o nome dos seus personagens? Com nomes peculiares como Askhar e Bririon, você inventa ou pesquisa em algum lugar?
[Julius Vieira] Nomes sempre vem bem naturalmente para mim. Com nomes mais exóticos, eu misturo palavras, inverto sílabas e por aí vai, não costumo fazer muita pesquisa, é mais um exercício de criatividade. Nos dois casos mencionados dos personagens de Três Desejos, a intenção era causar certa estranheza, então optei por uma estética com muitas letras e uma sonoridade marcada.

[Fernanda] Uma das coisas que me intrigou na sua obra, foi a frieza que Askhar tinha a princípio com os pais. Poderia nos dar uma informação extraoficial de como a relação com eles chegou a tal ponto?
[Julius Vieira] Muito da personalidade do Askhar é algo que poderíamos dizer que é da índole dele, mas como vemos na história, o Askhar foi por um período crítico de sua formação de caráter, filho único. A partir do momento da chegada de seu irmão, ele começa a se sentir traído por seus pais por se adaptarem ao novo contexto. É uma mistura de egocentrismo e ressentimento, que se contrapõe ao carinho e amor que ele também carrega por sua família. 

[Fernanda] No livro percebemos que você criou uma nova versão de pós-vida. Você se inspirou em alguma já existente ou criou tudo na hora?
[Julius Vieira] Essa foi uma parte divertida da escrita. É como o Askhar pensa quando encontra Trexis pela primeira vez: Eu queria inventar um jeito de conciliar o criacionismo e a teoria da evolução numa espécie de “e se”. Então, o melhor jeito foi dizer: “Olha, vocês entenderam tudo errado”. Esse pós-vida vem dessa coisa de mostrar como “realmente é.” Além da sua estrutura também dialogar com a mensagem que considero ser a principal do livro.

[Fernanda] Na sua opinião, qual é a principal mensagem do seu livro?
[Julius Vieira] Eu diria que são mensagens correlacionadas: Pense bem nas suas escolhas antes de toma-las para não gastar um tempo valioso se arrependendo delas. Se tiver oportunidade de corrigir algum erro, corrija da melhor forma possível. E, para seguir a temática de três, Ame quem você ama agora e não depois.

[Fernanda] Descreva o final do seu livro com uma palavra.
[Julius Vieira] Eu acho que “inesperado” seria a palavra ideal.

[Fernanda] O Julius de hoje mudaria o final de algum personagem, ou está plenamente satisfeito com o desfecho de sua história.
[Julius Vieira] Eu com certeza não mudaria finais, mas acho que alteraria bastante coisa nos capítulos iniciais do livro, na forma como as coisas vão sendo apresentadas.

Outras obras e planos futuros

[Fernanda] Fale um pouco do seu conto na antologia “Enquanto as luzes se apagam”.
[Julius Vieira] A proposta da antologia é falar desses problemas tão comuns que encontramos hoje, que são esses transtornos psicológicos, como a depressão, a ansiedade entre outros, explorados em contextos fantásticos para trazer esses temas para debate. O meu conto se chama “Mal me quer” e ele é narrado pelo ponto de vista de uma flor. Nesse conto, eu não quis especificar em um desses transtornos, mas discutir que tipo de situações que nos submetemos que podem fomentar o surgimento desse tipo de problema.

[Fernanda] Sabemos também que você tem um livro em pré-venda chamado “Em algum lugar dentro de mim”. O que podemos esperar dele?
[Julius Vieira] Acho que ao contrário de Três Desejos, que temos muita ação e aventura, nesse o ritmo é um pouco mais tranquilo, uma leitura mais intimista. Félix é um personagem completamente diferente do Askhar e que tem dilemas muito mais internos que externos, como o título já diz, é uma viagem introspectiva para os pensamentos mais íntimos do nosso protagonista. É uma história que tem a intenção de arrancar algumas lágrimas e sorrisos. Entretanto, há também semelhanças, o tema sobre a importância de valorizar as pessoas que estão ao nosso redor retornam em uma outra perspectiva.

[Fernanda] O que podemos esperar de você neste mundo literário?
[Julius Vieira] Eu pretendo continuar escrevendo e eu espero que as pessoas continuem lendo, hahaha. A intenção é sempre estar com novidades para os leitores.

[Fernanda] Pretende escrever algum livro de um gênero completamente diferente de fantasia
[Julius Vieira] Sim e já está em prática. “Em algum lugar dentro de mim” é muito mais um drama pessoal do personagem que uma fantasia. Apesar de ter um elemento “irreal”, esse elemento é mais um simbolismo que uma coisa fantástica. Fora isso, tenho pronto na gaveta o primeiro livro de uma duologia distópica, que ainda não tem previsão de lançamento e agora estou nos capítulos iniciais do que acho ser minha história mais madura até agora. Pretendo falar de alguns problemas sociais que acho que precisam ser retratados. Ainda é um projeto que está no início, mas estou bastante empolgado.

[Fernanda] Para finalizar, deixe uma mensagem para os leitores:
[Julius] Primeiramente, agradeço a Fê por ter me convidado para essa entrevista tão legal e os leitores que acompanharam as respostas até aqui. Deixo também o convite para conhecerem meus livros, e até mesmo os contos que estão gratuitamente no Wattpad. Me sigam nas redes sociais: @1criadordehistorias no Instagram, Facebook e Wattpad, é lá que sempre divulgo as novidades. Até a próxima, galera!



Livro Três Desejos:

Livro “Em algum lugar dentro de mim”

Links dos contos (lembrando que são GRATUITOS):
Onze horas: 

Primeiro contato:

Não faça silêncio:

O álbum de um ceifador:

A fogueira está no sangue:

A água que ta no céu:

Autorretrato:

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada ❤️ tentei deixá-la a altura de um autor tão bom. Fico feliz que tenha gostado!

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