domingo, 15 de março de 2020

Resenha #13 - Marina


Olá leitores do blog Em minha mente! Sejam bem-vindos a primeira resenha de um livro estrangeiro em muito tempo! (Alguém viciou nos nacionais, não é mesmo?). Confesso que terror não é um dos meus gêneros favoritos (eu literalmente corro dele sempre que possível por questões de medo) e a capa já me intimidou logo de cara, mas como era a indicação de alguém de confiança, que conhece meu gosto melhor do que eu (obrigada novamente Lucas Ferreira) entrei de cabeça nessa narrativa. Venham conhecê-lo, pois este livro é de impactar vidas e se já conhecem, pelo amor de Deus venham comentar comigo porque ainda não superei! Aproveitem:


Título: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora Suma das letras (tradução)





A obra fala sobre um garoto que vive em um internato em Barcelona chamado Óscar Drai que parece muito entediado com a sua vida monótona e suas aulas chatas. Sempre que pode, dá uma escapulida para andar pela cidade, vendo os casarões antigos e em uma dessas suas aventuras, acabou entrando em um dos casarões que parecia abandonado, mas se ouvia um lindo canto que o atraiu para dentro.

Foi de um jeito nada amigável que conheceu Germán e, ao perceber que tinha roubado um relógio sem querer fugindo da casa, sentindo-se culpado, resolveu devolvê-lo. Foi assim que conheceu Marina e é ela que o introduz a um mistério que começa inocentemente em um cemitério, observando uma dama vestida de negro com o rosto coberto que frequenta o lugar regularmente e deixa uma flor sempre no mesmo túmulo sem nome, marcado apenas por uma borboleta negra.

Se eles soubessem no que estava por vir, com certeza nunca teriam seguido essa dama na vida.  

A primeira coisa que me chamou atenção nesta narrativa foi a nota ao leitor que o autor faz logo no começo do livro, contando-nos o carinho que tem por essa obra entre todas as que já escreveu e se tem algo que sei neste mundo literário é: se o autor diz que este é o seu favorito, é muito difícil o livro ser ruim. (A autocrítica autoral é sempre bem pesada, confie em mim).


Carlos escreve sua história de uma forma quase poética. Se atenta a todos os detalhes desde o que o protagonista vê, ao cheiro e ao que ele sente. Ele tem uma preocupação gigante em te localizar naquele mundo que criou. Nunca fui a Barcelona e sei que ela mudou bastante desde essa época em que a história se passa, mas depois de ler Marina, sinto que conheci um pouco mais sobre como a cidade foi e que, se um dia tiver a oportunidade de ir ver como ela é hoje em dia, a verei com outros olhos. (Com olhos temerosos, diga-se de passagem). Sua escrita rebuscada te faz entrar nesse mar de histórias deprimentes e tensas, começando leve, para depois te jogar a bomba.

Todas as histórias de vida de cada personagem que conhecemos ao longo da narrativa são incríveis, instigantes e com aquele final Shakesperiano, Sparkiano, Greeniano... (leia-se trágico). O autor faz questão em contar um pouco sobre a vida de todos que apareçam meramente nela, com exceção de Óscar e Marina, que por incrível que pareça, são os personagens principais. A sensação que dá é que eles são nossos cúmplices e que têm como função nos levar até as histórias que Carlos realmente quer nos contar, como uma ponte para nos levar até o outro lado, vulgo fim da história.

É possível aprender tanto com a vida do artista Germán e seu mestre, mesmo sendo só uma passagem para o conhecer melhor, informações que podem ser consideradas até dispensáveis para o enredo em sim, mas as lições que ele aprende, que nós aprendemos de tabela, sem dúvidas são necessárias para a vida. É a história mais marcante de coadjuvante que você vai ver ali. 


Agora falando da parte principal que faz Óscar e Marina correrem tantos perigos e se aventurarem por tantos mistérios: A história de Kolvenik e Eva Irinova. A preocupação do autor em contá-la por muitas pessoas diferentes, dando a cada personagem a sua versão da "lenda" e como ela afetou cada um deles é o que a torna tão rica e, os contadores dela, tão vivos. É uma narrativa que você precisa ficar de olhos abertos, pois não são todos os personagens que contam a verdade e eles também omitem alguns detalhes importantes, te fazendo lutar por eles junto com os adolescentes curiosos que se tornam, mesmo que não intencionalmente, parte do caso. Em outras palavras, esteja pronto para ser feito de trouxa. Muitas vezes.

Ler Marina para mim foi como pegar no sono. Desligando-me do mundo real para adentrar a realidade que o autor criou e quando percebi que era um pesadelo muito assustador, eu já estava envolvida e não sabia mais como acordar. Mesmo com o sobrenatural gritante permeando a narrativa, o livro vai além da parte fantástica, é uma obra completa que fala sobre amor, traições, ganância, morte e o medo que os humanos têm dela. É aquele tipo de livro que quando você termina, você já não é mais a mesma pessoa que era quando começou.

Recomendo demais este livro com o aviso de que ele é bem pesado. Se você não tiver estômago para sangue e tiver alguma fobia com bonecos ventríloquos, sugiro que escolha outra história para ler, mas se você se acha corajoso para embarcar nessa aventura, garanto que vai ser uma das melhores e mais completas viagens da sua vida.
  


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